Feminicídio: a luta de mulheres brasileiras por socorro e justiça em meio ao aumento da violência

  • 02/04/2025
(Foto: Reprodução)
O Profissão Repórter desta terça-feira (1º) acompanhou de perto o trabalho de delegacias, ONGs e projetos que tentam romper o ciclo da violência contra mulheres no Brasil. Edição de 01/04/2025 O Profissão Repórter desta terça-feira (1º) acompanhou a luta de mulheres que buscam justiça diante do aumento recorde de feminicídios no Brasil. A reportagem mostra a realidade das delegacias especializadas, as dificuldades enfrentadas pelas vítimas para romper o ciclo da violência e iniciativas para atender crianças que testemunharam agressões dentro de casa. Saiba mais abaixo. Relatos de medo e dor A reportagem foi à 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, a unidade que mais registra ocorrências de violência contra mulheres do estado. No local, presenciou a chegada contínua de vítimas em busca de ajuda. Letícia Rodrigues Barbosa, de 30 anos, relatou ter sido espancada pelo companheiro. Com uma fratura no rosto, ela relatou ter passado a noite no hospital depois de ser espancada pelo marido. "Ele começou com muita crise de ciúmes, disse que eu estava traindo ele. 'Pega o celular e desbloqueia agora'. Disso que eu não abri, ele começou a me agredir muito. Muitos tapas, socos, puxão de cabelo", contou. Outra vítima, Samara de Oliveira Ribeiro, de 27 anos, contou que ficou sem consciência após ter sido jogada no chão por seu agressor. Na 6ª Delegacia, foram registrados quase 3 mil pedidos de medida protetiva em 2024 — nos três primeiros meses de 2025, já foram mais de mil pedidos. A delegada Melissa Rodrigues explica que muitas mulheres enfrentam o chamado "ciclo da violência", um padrão que envolve tensão crescente, agressões e uma fase de "lua de mel", quando o agressor promete mudar. "Infelizmente, essas promessas não são cumpridas, e o ciclo se reinicia", afirma. Casos de feminicídio crescem no Brasil Reprodução/TV Globo Medidas protetivas são suficientes? Na madrugada do dia 5 de março, Elaine Domenes de Castro, de 53 anos, foi assassinada pelo ex-namorado, Rogério Gonçalves, na esquina de sua casa, em São Paulo. As imagens do crime foram registradas por uma câmera de segurança. Ele foi preso no dia 6 de março, um dia após ter cometido o crime. Eles namoraram por pouco mais de um ano, mas estavam separados. Rogério ameaçava Elaine constantemente desde o término do relacionamento. Uma vez, chegou a dizer que iria matá-la. Ela tinha uma medida protetiva contra ele. O caso chama atenção não só pela gravidade do crime, mas porque Rogério já havia sido preso pelo assassinato da ex-namorada Wanda Maria de Oliveira da Silva, em 2005 - quando as leis Maria da Penha e do Feminicídio ainda não haviam sido criadas. Ele foi condenado a 12 anos de prisão, mas acabou libertado após 4 anos para cumprir o resto da sentença em regime aberto por bom comportamento no presídio. Elaine Domenes de Castro, de 53 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro em março Reprodução/TV Globo Um pedido de ajuda que não chegou a tempo O Profissão Repórter também mostrou o caso de Samara Cruz, de 29 anos, assassinada no município de Flores, no sertão de Pernambuco. Horas após pedir ajuda a vizinhas pelo celular, ela foi morta pelo ex-marido na frente dos filhos. "Minhas amigas, se vocês tiverem o telefone da delegacia de Flores, por favor, alguém manda para mim. É urgente", escreveu Samara. "Ele já me espancou demais". Ela não teve tempo. O homem subiu no telhado de sua casa, retirou as telhas e disparou onze tiros. Samara morreu na frente de dois de seus filhos. Uma delas, uma menina de apenas quatro anos, dormia abraçada à mãe. Na condenação, a juíza Ana Carolina Santana proferiu a sentença como uma carta para a vítima. O vídeo viralizou nas redes sociais. "Querida Samara, assim como você, eu sou mulher e mãe, mas, diferente de você, estou viva (...) Hoje, você foi absolvida. Você não teve culpa do que te aconteceu", diz em parte da gravação. O caso chamou atenção para a frequência dos crimes de violência doméstica na cidade. Como resposta, um projeto piloto do Tribunal de Justiça de Pernambuco foi criado para atender crianças que presenciaram agressões dentro de casa, chamado de "Rompendo o ciclo da violência". Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 27% dos casos de violência contra mulheres os filhos são testemunhas do crime. "Queremos um judiciário que se preocupe também com a prevenção. Porque quem vive, testemunha e cresce com esta violência, tende a reproduzi-la no futuro, ou aceita-la", afirmou Ana Carolina Santana. Projeto de reabilitação para condenados por crimes contra mulheres Reprodução/TV Globo Reeducação de agressores Em Aparecida de Goiânia, no Goiás, uma unidade prisional implementou um projeto focado em detentos condenados por crimes relacionados à Lei Maria da Penha, uma iniciativa inédita no Brasil. "A maior parte dos autores de violência contra a mulher não entendem praticaram um ato violento. Eles acham, normalmente, que a culta é da mulher, que ela mereceu de alguma forma. Esse trabalho da desconstrução da violência, da compreensão do que é a violência, ele é essencial para que ela seja realmente combatida, afirma Ana Maria Rodrigues da Cunha, promotora de Justiça. "Infelizmente os homens aprenderam mal. Eles viram um pai maltratar a mãe, o tio bater na tia, e eles trouxeram isso para o seu convívio. Eles acham que são donos, mas ninguém é dono de ninguém", Antônio Valter, detento preso por homicídio de um homem e por quebrar a medida protetiva de uma ex-companheira. "O mais difícil é aprender a desfazer o que você aprendeu errado". "Se a gente parte da ideia de que a violência é algo que aprende. Se você cresceu vendo alguém violentar as pessoas ao seu redor, como é que você vai resolver conflito?", questiona Andressa Teodoro, psicóloga e pesquisadora, que faz parte do projeto. Os detentos que participam desses encontros têm direito a uma redução de pena. A reportagem completa está disponível no programa desta terça-feira. Assista no vídeo acima. Confira as últimas reportagens do Profissão Repórter:

FONTE: https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2025/04/02/feminicidio-a-luta-de-mulheres-brasileiras-por-socorro-e-justica-em-meio-ao-aumento-da-violencia.ghtml


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